Saiba como a neuroarquitetura se relaciona com ambientes mais humanizados

neuroarquitetura

Instintivamente sabemos que os ambientes podem afetar nossa mente. Por esse motivo, surgiu a neuroarquitetura — para estudar as reações do nosso cérebro e usá-las para otimizar nosso bem-estar nos mais diversos ambientes.

Você já se sentiu extremamente incomodado em um ambiente ou, como se estivesse “em casa”? Lugares desorganizados, com muitos objetos empilhados, podem nos deixar angustiados ou desmotivados. Locais limpos, bem organizados e funcionais, ao contrário, podem provocar sensações positivas e nos motivar.

Se você quer entender mais sobre esse assunto e potencializar boas sensações em seus projetos de interiores, acompanhe o nosso post!

Afinal, o que é neuroarquitetura?

A Neuroarquitetura é uma área da neurociência que tem como foco trazer respostas sobre as nossas relações com o design e arquitetura, explicando por que reagimos positiva ou negativamente a determinados espaços.

Em outras palavras é analisando os resultados dos estudos científicos e relatos sobre a relação cérebro e ambiente, que os arquitetos têm uma ferramenta poderosa em suas mãos que podem auxiliar as empresas a reduzir fatores de estresse dentro da organização, a contribuir para o bem-estar dos colaboradores e a aumentar sua produtividade.

Como a neuroarquitetura ajuda a criar ambientes humanizados?

A humanização dos ambientes é um tema em alta nos dias de hoje. Isso decorre do fato que o bem-estar dos colaboradores passa a ser o foco principal das empresas, uma vez que, a produtividade e criatividade fluem melhor em ambientes onde as pessoas se sentem bem e têm suas necessidades de acomodação bem atendidas. Disso decorre que a criação de uma boa experiência no ambiente de trabalho, exige uma compreensão do que as pessoas precisam para poder se destacar no desempenho de suas funções.

Por isso, a neuroarquitetura assume o importante papel de estudar os comportamentos e promover melhorias através da arquitetura e do design.

Como esse conceito é aplicado no Brasil?

No Brasil, em tempos em que a saúde e qualidade de vida do colaborador são amplamente discutidas, a neuroarquitetura tem ganho cada dia mais espaço e vem sendo muito utilizada em projetos comerciais para estimular de forma positiva a equipe de trabalho, garantindo seu bem-estar e motivação. Além de ambientes corporativos, essa ciência pode ser aplicada também em ambientes residenciais, criando espaços confortáveis e estimulantes.

Na aplicação desses conceitos, algumas estratégias ganham forma:

  • utilização de estações de trabalho compartilhadas entre colaboradores de vários setores que estão envolvidos no mesmo processo;
  • criação de espaços de convivência bastante confortáveis e com uma decoração bem executada, que possibilitem a interação espontânea entre as pessoas, surgindo laços que reduzem a resistência ao trabalho em grupo;
  • você já reparou que todo consultório de psicologia tem um sofá? Esse movel está ligado ao aconchego e pode fazer com que as pessoas se sintam mais relaxadas para interagir. Daí decorre que os ambientes com sofás dentro do escritório, para momentos de pausa ou para uso livre a qualquer hora do dia, sejam saudáveis, proporcionando aos funcionários alguns instantes para relaxar, interagir uns com os outros e voltar ao trabalho mais focados.

Todas essas dicas consideram o funcionamento da nossa mente para elaboração de um projeto.

Quais são características marcantes de ambientes elaborados sob esse conceito?

Há alguns elementos comuns a praticamente todos os projetos baseados em neuroarquitetura. A seguir, apresentamos os principais.

Organização

O cérebro está constantemente escaneando os ambientes por meio dos nossos olhos em busca de qualquer ameaça para nossa sobrevivência. Em 2014, o Prêmio Nobel foi dado a dois pesquisadores que descobriram neurônios ligados à orientação espacial no nosso cérebro.

Os ambientes desorganizados são extremamente estressantes, pois trazem a sensação de perigo eminente mesmo que inconscientemente. A qualquer momento, podemos tropeçar ou esbarrar em algum objeto.

Nossa socialização faz com que liguemos a organização com cuidado e asseio.

Luminosidade

Ao incluir uma lâmpada no projeto é preciso verificar sua tonalidade de branco. Isso porque existem atualmente, três modelos principais:

Branco frio

Emitem uma luz bem branca. É o caso de muitos LEDs e da lâmpada fluorescente. Na sua composição, predominam as ondas azuis do espectro visível, que estimulam o cérebro a ficar mais alerta. Um exemplo de sua aplicação é em tratamento com a luz azul intensa, feito para pessoas que apresentam doenças ligadas à sonolência diurna. Portanto, é essencial nos ambientes de trabalho.

Branco neutro

Esse tom, por sua vez, oferece uma distribuição de frequências de luz muito semelhante à do sol. Portanto, transmite a sensação de uma iluminação mais natural, sendo ideal para os espaços de recepção de clientes.

Branco quente

Por fim, temos o tom quente, que oferece uma luz mais amarelada. Nesse caso, predominam as ondas amarelas e vermelhas do espectro. Elas estão ligadas a sensação de relaxamento, pois são mais sutis ao nosso cérebro.

Assim, os médicos recomendam que elas sejam instaladas no quarto de pessoas com insônia. Na decoração corporativa, são ideais para os espaços de lazer e cozinha, trazendo uma sensação de acolhimento.

Além disso, há a questão da intensidade luminosa. Caso ela não seja suficiente para a execução das tarefas cotidianas, o olho é constantemente forçado a fazer ajustes de focalização. Isso demanda muita energia do nosso cérebro, provocando dores de cabeça e até mesmo queda na produtividade.

Da mesma forma, um ambiente muito claro estimula excessivamente nossos sentidos, o que provoca sobrecarga de informações. O resultado também é uma redução do rendimento. Portanto, um projeto de iluminação bem elaborado é essencial para o sucesso do seu projeto.

Design biofílico

Vários estudos de neuroarquitetura tem mostrado os benefícios de incluir espaços verdes nas cidades e também nos ambientes internos. Essa medida pode reduzir o estresse, aumentar a sensação de bem-estar e mitigar a fadiga cognitiva.

Por isso, a arquitetura tem incorporado um conceito interessantíssimo — o design biofílico. Seu principal objetivo é devolver o contato das pessoas com a natureza, mesmo dentro das construções. Para isso, deve-se buscar estratégias para deixar os espaços mais abertos à iluminação e à ventilação natural.

O ideal é também incluir áreas abertas para que os usuários possam relaxar. Segundo estes estudos, a ausência de uma vista livre dentro do ambiente de trabalho se relaciona a maiores níveis de estresse. Ademais, a inclusão de plantas vivas, paredes verdes, canteiros e outros elementos traz diversos benefícios. Outras pesquisas apontam que os colaboradores em contato com as plantas são 6% mais produtivos. Pode parecer pouco, mas o efeito cumulativo traz grandes ganhos.

Boa ventilação

Quando a concentração de gás carbônico no ambiente se eleva um pouquinho, o centro respiratório do nosso sistema nervoso central é ativado. Seu objetivo é acelerar o ritmo das nossas expirações para que eliminemos mais CO² e liberar adrenalina (um dos neurotransmissores do estresse) para que sejamos estimulados a sair rapidamente daquela ameaça à vida.

Ambientes mal ventilados tendem a acumular esse gás, pois as pessoas o liberam na respiração, mas ele não é eliminado para fora do cômodo. Por essa razão, elas ficam inquietas, o que compromete a concentração e sua produtividade.

Além disso, um espaço bem ventilado permite uma maior economia de energia, pois melhora o conforto térmico dos colaboradores. Desse modo, pode-se evitar ou reduzir o uso de ares-condicionados e ventiladores. A troca de ar também proporciona uma sensação de relaxamento, retirando os maus odores e permitindo um contato maior com o exterior.

Uso estratégico de formas

Você sabia que o uso de determinadas formas pode desencadear emoções negativas de estresse? Os ângulos retos e as estruturas pontiagudas contribuem com a liberação de hormônios ligados a essa emoção. Isso provavelmente se deve a uma defesa natural nossa, que liga esses formatos com riscos à vida. Já o design orgânico, com suas formas arredondadas, traz uma sensação de aconchego — proporcionando relaxamento.

Todos esses elementos de neuroarquitetura focam no bem-estar das pessoas que utilizam os ambientes. Essa humanização é essencial para as empresas, visto que o índice de estresse no trabalho cresce todos os dias a ponto de se tornar uma doença. A situação é tão alarmante que a OMS anunciou, em 2019, que incluirá o esgotamento profissional como uma doença no próximo CID.

Você já tinha ouvido falar da neuroarquitetura antes do nosso post? Para que ninguém fique sem conhecer esse conceito tão importante, não deixe de compartilhar o nosso post nas redes sociais!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *